3 de mar. de 2012

Marillion no Brasil

Naquele famoso post "O Rock and Roll na minha vida", de julho/2010, eu conto um pouquinho de como conheci o Marillion, através do primo Luis.

Bom, naquela época, eu colecionava as letras de música, assinava a revista Bizz e eis que um belo dia me deparo com um anúncio nessa revista do extinto Projeto SP. O Anúncio trazia as próximas atrações daquela casa de shows, entre elas o Marillion. Prestes a fazer 15 aninhos, convenci minha mãe de que eu não queria festa de debutante. Queria ir no show e lógico, daria um jeito dos primos me levarem. Afinal, seria meu primeiro show de rock.

Até hoje não sei se meus pais realmente deixariam que eu fosse. A maior das fatalidades para um fã de Marillion aconteceu naquela época : Fish, deixou a banda. E lógico, a turnê, o show, foram cancelados. Eu já sonhava com "La Gazza Ladra" tocando na abertura do show e em seguida "Sláinthe Math"... Foi um balde de água fria. Troquei a festa por um show que nunca aconteceu.

Em 1992, uma nova chance. A banda veio para o Hollywood Rock, com o novo vocalista Steve Hogarth, no mesmo dia em que se apresentaria o Bon Jovi. E um amigo querido, pelo qual eu estava muito interessada, mas na época só me enrolava, chamado Alessandro (alguém aí conhece???rss) ficou de me avisar quando fosse comprar os ingressos para irmos juntos. Bem, ele NUNCA avisou. Foi no show com amigos e eu só soube depois. GRRRRRRRRRRR!!!! Até hoje eu digo que nunca será perdoado por isso...

Bom... felizmente, Fish em carreira solo aportou em terras brasilis pela primeira vez, não me lembro o ano, e fez um show maravilhoso no extinto Palace. (Affe! Tudo "extinto", tô me sentindo velha...) De quebra, enquanto aguardávamos a abertura da casa, sentados na calçada do Palace ( eu, Alê e mais um amigo) vimos um bando de gringos passando na rua, falando enrolado. No meio deles, um gigante. Fish! Um homem alto, enorme, ainda com restos capilares em sua cabeça, brinquinho de peixe na orelha... e lindo! Ah.... até hoje não sei como não fui correndo atrás dele...rs O show foi bárbaro, repertório perfeito - as melhores do Marillion em sua fase + seu cd solo que eu sabia de cor e salteado. Sim, foi o melhor show da minha vida!

Mas ficou aquele gostinho de ... não era Marillion. Porque apesar de Marillion ser 50% Fish, faltava os outros 50% constituídos do Mark Kelly, Steve Rothery, Ian Mosley e Pete Trewavas. E fiquei na vontade.

O primeiro álbum com Mr. H, como o Hogart é conhecido entre os "Marillionados" até que foi bom, mas um tantinho pop. "Season´s End" teve como grande "hit" a música "Hooks in you"e quase furou de tanto que eu ouvi. Acho que foi o último vinil que comprei na vida... depois disso, ainda consegui ouvir algumas coisas dos outros álbuns com Mr.H, mas faltava a voz e as letras do Fish. Dei um tempo do Marillion. Afinal, onde já se viu, banda de rock progressivo com música em trilha sonora de novela? Por mais que eu goste de "Beautiful", aquilo mostrava pra mim que algo estava errado na carreira deles. Até o advento do Orkut...rss

Descobri comunidades da banda, fiz download de alguns novos sons... e aí veio o Ricci para as tardes da Kiss FM. Tardes de aulas em que o povo da comunidade ficava ouvindo e batendo papo. E o nosso Prof Rock and Roll mandava ver no Marillion dos velhos tempos, com bootlegs e causos... Voltei a ouvir, definitivamente. As comunidades da banda também me fizeram ver H com outros olhos. Ele NUNCA cantará como Fish, mas é um cara cativante, tem carisma.

A banda dá muita importância aos fãs. Todos os anos organizam o "Marillion Weekend", que lógico, nunca passou pelo Brasil...rs Acontece em países como Holanda, Canadá e Reino Unido. Como um mega festival, com atividades diversas, shows da banda, encontros com fãs, etc. Todos os anos, membros do fã clube oficial também recebem um cd especial de Natal, com versões exclusivas. Tipo a versão de 2007  de "Toxic" da Britney Spears. Cliquem no link, sem preconceito...Ficou legal, nem parece a música dela...

Ano passado, via twitter, conheci um holandês filósofo e blogueiro fã de Marillion. Na Holanda os caras passam com frequência fazendo shows. Ele quem me avisou de uma campanha no Facebook para os fãs dizerem em que parte do mundo queriam shows do Marillion e lá fui eu! E não é que meu amigo holandês também vai assistir de novo a banda esse ano, quase no dia do meu aniversário? Sortudo...

As redes sociais e sua força conseguem dessas coisas. Muita gente do Brasil pediu. E no final do ano passado o anúncio oficial. Marillion no Brasil em outubro de 2012!!!!


Agora, não tem como perder. Compramos hoje os ingressos. Números 4 e 5!!! Da primeira leva...hehe!
Alê perguntou se agora ele consegue se redimir... Será que perdoo?





29 de fev. de 2012

"You´re still the one" - Shania Twain




Parece que nós conseguimos
Olhe o quanto nós chegamos longe meu querido
Nós poderíamos ter seguido o caminho longo
Nós sabíamos que chegaríamos lá algum dia

Eles diziam , "Eu aposto que eles nunca conseguirão"
Mas somente olhe para nós aqui
Nós ainda estamos juntos e forte

(Você ainda é o único)
Você ainda é aquele para quem eu corro
Aquele a quem eu pertenço
Você é aquele que eu quero na vida
(Você ainda é o único)
Você ainda é aquele que eu amo
Aquele com quem eu sonho
Você ainda é aquele que eu beijo boa noite

Não existe nada melhor
Nós derrotamos o improvável juntos
Eu estou feliz por não termos escutado
Olhe para o que nós poderíamos estar perdendo

Eles diziam , "Eu aposto que eles nunca conseguirão"
Mas somente olhe para nós aqui
Nós ainda estamos juntos e forte

(Você ainda é o único)
Você ainda é aquele para quem eu corro
Aquele a quem eu pertenço
Você é aquele que eu quero na vida
(Você ainda é o único)
Você ainda é aquele que eu amo
Aquele com quem eu sonho
Você ainda é aquele que eu beijo boa noite
Você ainda é o único

Sim...
(Você ainda é o único)
Você ainda é aquele para quem eu corro
Aquele a quem eu pertenço
Você é aquele que eu quero na vida
(Você ainda é o único)
Você ainda é aquele que eu amo
Aquele com quem eu sonho
Você ainda é aquele que eu beijo boa noite

Eu estou feliz por nós termos conseguido
Olhe o quanto longe nós chegamos meu querido

Férias, férias... onde estão vocês???

Estava tudo tão fácil!
Não no início, lógico. Mas depois de um tempo as coisas começaram simplesmente a fluir sozinhas.
E aí tomaram grandes proporções.
Mas agora, ou estou cansando ou realmente as coisas estão mais difíceis.
Talvez, seja ainda uma questão de prioridades, seletividade, exigência, falta de criatividade, baixa produtividade, falta de paciência, um pouco mais de amor próprio e claro, o bom e velho perfeccionismo desgraçado que teima em não me abandonar!
Cada vez mais difícil de "escrever". Ainda mais quando eu mesma me desafio a fazer diferente.
Hora de dar uma pausa, ou parar de vez, maybe?
O problema é que esse prazer de "escrever" virou um vício, quase como viver. 
Será que eu posso me livrar dele?
Ou melhor, será que eu quero me livrar disso?

Aposto que uma semaninha de sombra e água fresca resolviam meu problema...rs Duas, vai!
Mas com ou sem meu note do ladinho? Huahuahuahua!!!!!


25 de fev. de 2012

A Mão - Carlos Drummond de Andrade

Três dias após o funeral de Portinari, Carlos Drummond de Andrade presta sua derradeira homenagem ao amigo, dedicando-lhe o poema "A Mão":


"Mãos entrelaçadas"

Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
e nada mais resiste a mão pintora.
A mão cresce e pinta
o que não é para ser pintado mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul – murmurando
o que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem – querer no baú dos vencidos.
A mão cresce mais e faz
do mundo – como – se – repete o mundo que telequeremos.
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o invisível.
Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.
Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica
não para aplacar a sede dos companheiros,
principalmente para aguçá-la
até o limite do sentimento da terra domicílio do homem.

Entre o sonho e o cafezal
entre guerra e paz
entre mártires,ofendidos,
músicos, jangadas, pandorgas,
entre os roceiros mecanizados de Israel,
a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil
entre o amor e o ofício
eis que a mão decide:
todos os meninos, ainda os mais desgraçados
sejam vertiginosamente felizes
como feliz é o retrato
múltiplo verde – róseo em duas gerações
da criança que balança como flor no cosmo
e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente
em seu poder de encantação.

Agora há uma verdade sem angústia
mesmo no estar – angustiado.
O que era dor é flor, conhecimento
plástico do mundo.
E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voapara nunca – mais
a mão infinita
a mão – de – olhos – azuis de Cândido Portinari.

24 de fev. de 2012

Motivações de um artista...

"...uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende. Só o coração nos poderá tornar melhores e é essa a grande função da Arte. Não conheço nenhuma grande Arte que não esteja intimamente ligada ao povo.

As coisas comoventes ferem de morte o artista e sua única salvação é retransmitir a mensagem que recebe. Eu pergunto quais as coisas comoventes neste mundo de hoje? Não são por acaso as tragédias provocadas pelas guerras, as tragédias provocadas pelas injustiças, pela desigualdade e pela fome? Haverá na natureza qualquer coisa que grite mais alto ao coração que isso?..."

(Trecho do discurso de Cândido Portinari a intelectuais e artistas em Buenos Aires, em 1947)

Portinari pintando os painéis Guerra e Paz, nos galpões da TV Tupi, no RJ, em 1955.